Meu pai sempre me disse que o mundo é mau, eu nunca acreditei muito nesse carnaval. Só que hoje, quando eu me vejo de longe, percebo que ele estava certo, e eu fui a única que demorei a entender isso.
Não sejamos hipócritas, eu me incluo nesse mundo cruel, não sou Santa, já fiz gente sofrer, mas acredito ter chegado a hora de amadurecer.
Cansei de me sentir frágil, vítima dessa sociedade doente que me acorrenta, desse mundo que faz com que nos afastemos do nosso verdadeiro eu, eu esse que acredito ser bom.
Na real talvez as pessoas não sejam ruins, mas estamos tão doentes só pensando em nosso próprio umbigo e queremos tanto ser aceitos que vestimos as máscaras a que nos são impostas, sem nem ao menos questiona-las até que um dia nos olhamos no espelho e não gostamos do que está diante de nós. Nossos reflexos distorcem o nosso eu mais puro e sincero, e nos obriga a vestirmos uma carapuça que nos distancia de nós mesmos.
Vivemos em um mundo de aparência, nos preocupamos mais com o sorriso amarelo da foto no facebook do que tratar bem o diferente, talvez porque o diferente assuste um pouco. Estamos preocupados em sermos aceitos por pessoas em aplicativos que nos descartam ou aceitam segundo a nossa aparência, ao invés de nos conectarmos energeticamente e quimicamente com pessoas que a gente conheça ao vivo e a cores.
Não me levem a mal, muitos amigos meus se utilizam de tais aplicativos e eu os respeito, porém não consigo visualizar o real sentido disso tudo.
Acredito de corpo e Alma que a nossa juventude está cada vez mais fútil, e isso só me faz querer voltar no tempo e ter nascido em outra década.
Verdade verdade mesmo, quero me esvaziar, estar pronta para o novo, e quando isso acontecer, pretendo me esbaldar até a vida vier me calar, e quanto a isso tudo não sei, só sei que cansei de não conseguir me enquadrar naquilo que chamam de lar.
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