terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Admito

Admito estar preocupada
com a natureza humana.

Aliás,
estou puta com a natureza desvairada
das coisas que não caem do céu
da desconfiança embriagada onde me encontro
de não saber fazer vinho se transformar
em tolas margaridas
por mais simpáticas que possam ser.

Gostaria de tentar morrer mais uma vez,
mas isso jamais voltará a acontecer.

Os cartazes de guerra
que cercam a tela
que antes era preta
agora
transformam-se em um enorme quadro em branco.

Todas queremos fugir
correr
iludir
persuadir.

O real alimento da natureza humana
é a putrefação instantânea.

Ao mesmo tempo
que os ventos de lá
levam todos
que preferem peitar
o infinito pouco particular,
aqui dentro do peito
existe um mundo
mundo esse único
e para alcançá-lo
é preciso ter calma e resiliência
resistência
e persistência.

Mas uma hora a poeira baixa
o tempo esfria
a mão esguia
e ficaremos todas muito bem,
obrigada.

Aqui não existe filosofia
só selvageria
misturada com algo puro
e bizarro tudo ao mesmo tempo
sou assim e sempre ei de ser,
doa muito ou pouco
a quem queira conhecer.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

À Sombra das Paineiras

As Merdas
são quase que,
literalmente,
jogadas no ventilador
todos os dias da vida
do mês
da semana
e todos os dias
das nossas eternas vivas.

As vidas são tantas
que às vezes fazemos erros
erros sim erros não 
se liga no peidão
peitão? 

Eu? 

Homens querem ser tratados
a pão de ló
coitados.

Enquanto moças
lépidas e fagueiras
tentam escrever
os restantes das nossas
pobres vidas
mundanas.

Chopps?
Cerveja?
Rivo?
Rio?
Muito.

Da cara do período
Perigo 
Todos os dias da semana.

E aí te pergunto:
Que mal tem
querer bem?
Querer bem bom 
Pay 
Dei
Ali em búzios
onde os sonhos começaram a reascender 

Transcrever tudo 
o mundo
até brotarem cacos
espalhados na estante.

Doenças todos temos
porém a vida
sempre vos lembra
que viver é bom e ajuda a sonhar
viver
peidar 
Peitar
e transcender.

Acender
todos os dias 
da semana
da trilha 
do trilho 
que é a vida
de uma quarta feira de cinzas
que acaba de fazer 23.

23 anos? Só?
Pra mim parece eternidade
eternidade em miúdos
Graúdos
Encucados.

Mas encucados
todos somos
porém a vida sempre estará aí 
pra provar que necessitamos de
cuidados.

Cuidados essenciais? 
Sim não?
Sei não.

Porém amigos sempre seremos
abaixo o vannucci 
e á sombra das paineiras
alienistas?
encantados?
Endiabrados.

Comigo bem 
tudo vai ficar
pelo menos assim 
aguardo salientar
não se preocupe 
com o universo
ou então 
"(...)preocupe-se se quiser
mas saiba que pré-ocupação 
é tão eficaz quando mascar
chiclete pra 
tentar resolver 
uma equação de álgebra (...)"

Então cuidado com a rota
eles estão aqui pra lacrar. 

O mundo? 
Tudo tudo.

amigos?
Sempre seremos.

Então fique bem 
que pegarei meu trem
assim que a roda baixar
também. 

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Dois sóis

Odeio que sintam pena de mim.

Por mais estressante que a vida possa ser
não existem dois purês
pra um bidê
e vice versa.

Não existe essa
de metade da laranja
porque quem escolhe ser laranja
rosa ou amarela
somos nós
ninguém pode decidir
a sois.

Ontem vi dois sóis 
aqui da minha janela
mas nem por isso
tô tadinha
velha, gorda ou roxa.

Aliás, estou roxa sim.

Roxa, pois pulso por dentro
e acaba posando por fora
entre inúmeros odores
o mundo tá errado
errado em recriminar
essa tal bubu
quedas "filosofia"
sem nem ter lido
Platão, de beauvoir
ou piriquitinhas aladas
a cantar.

Quem fala nada sabe
e se sabe prefere não contar,
quatro carneirinhos que foram 
pra lá
e se queimaram
porque diferença sempre existe
e se existe acho graça.

E quem fala tanto
já leu minhas escrituras?
Aposto que não.

Eles ficam preocupados 
se eu viro bem ou não. 

Pra onde venta mais?
á minha mão
que apaixonada ou não
escreve a Deus dará
porque se deu ou se dá
tá lá.

E quem escolhe? 
São princesas?
Tigresas?
Tesouros?

Todas escondidas
nos olhos do papai do céu. 

Se viu ou não
sei não
mas por hoje chega
que mamãe atazana 
e papai espiona. 

Deitar e dormir é fácil 
falo, baixo.

Sou baixa e alta
tudo junta e misturada
sou assim e sempre ei de ser.

Esse é meu bem 
meu maior querer,
então muito prazer
em te conhecer.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Ambivalência

Ambíguo.

Moralmente aceito ou não
É tudo um grande defeito
Que aprendemos a ignorar
Quando aprendemos
De novo a caminhar.

Podem achar que eu sou fácil, não sou.
que sou sincera 100% do tempo, não sou.
que sou uma pessoa tranquila, não sou.

O mundo às vezes é confuso demais pra mim,
mas por alguma razão, certa ou não,
prefiro estar nele,
digo logo de antemão.

Previamente dito isso gostaria de constatar
que viver é bom, digo isso ao digitar.
uma mentirinha ou outra por alguma razão faz bem
isso ajuda a viver
faz parte da corrente
corrente nem sempre
do bem.

É que existem tantas verdades
muitas vezes intocadas
que prefiro por vezes só mostrar
que está tudo bem
mesmo quando não está.

As laranjas sempre irão cair
quanto mais ela resistir
pois elas sempre conseguem
trazer-nos de volta
á vida eterna.

Olho fotos antigas de familiares e amigos
Imagens raras, bonitas
mas que me fazem lembrar com carinho
que em uma época não tão distante fui santa
outras demônia
e tudo me lembra amônia.
Isso porque nunca estive sozinha
bobo louco é quem me diz
que nunca fui feliz.

Domingo ao meio-dia
com a casa vazia,
pude ouvir meus pensamentos
sentir as vontades que tanto me afligem,
pode parecer melancólico à primeira vista porém não,
me reconforta e sinto um grande carinho
ponho logo a mão
dentro do meu coração.

Porém a vida logo chega
o cartão nem sempre vaza
porém  olhe bem aonde está
doa a quem doer
sempre vou passar
sirva a alguém que crê
e assim começo a viver
cheia de empecilhos
numerológicos

Brilhantes.

Sou gente como a gente.
Amo quem passar
viver.
E acreditar.
Portanto digo
um sonho nunca
é demais
porque zero é vida
e 10 é morte
quando olhamos tudo do alto
de baixo pra cima
em clima distorcido.

Porém prefiro crer que a paz
estará sempre por perto
é que ela virou uma velha amiga
que sempre consegue vencer a angústia
sem precisar estar no meio de nós.

Os perplexos chamam de doença
os doentes de enjoo
e eu chamo de náusea.

Náusea que dá e passa,
porque se tem algo que aprendi
nessa eterna vida que chamo de nossa
é que náusea e pressa caminham juntas
e se são amigas está tudo bem
pois uma nunca irá se contrapor à outra.
this is what I called life
Life of tiro
Life of riso
Life of cry
tanto faz.

O importante é nunca esquecer
que brincadeira é bom
e ajudam a viver.

Recitando por último Drummond, peço licença
para retirar-me desse singelo poema
não sei quem o escreveu
só sei que sou máquina
e de máquina vivo eu.