Admito estar preocupada
com a natureza humana.
Aliás,
estou puta com a natureza desvairada
das coisas que não caem do céu
da desconfiança embriagada onde me encontro
de não saber fazer vinho se transformar
em tolas margaridas
por mais simpáticas que possam ser.
Gostaria de tentar morrer mais uma vez,
mas isso jamais voltará a acontecer.
Os cartazes de guerra
que cercam a tela
que antes era preta
agora
transformam-se em um enorme quadro em branco.
Todas queremos fugir
correr
iludir
persuadir.
O real alimento da natureza humana
é a putrefação instantânea.
Ao mesmo tempo
que os ventos de lá
levam todos
que preferem peitar
o infinito pouco particular,
aqui dentro do peito
existe um mundo
mundo esse único
e para alcançá-lo
é preciso ter calma e resiliência
resistência
e persistência.
Mas uma hora a poeira baixa
o tempo esfria
a mão esguia
e ficaremos todas muito bem,
obrigada.
Aqui não existe filosofia
só selvageria
misturada com algo puro
e bizarro tudo ao mesmo tempo
sou assim e sempre ei de ser,
doa muito ou pouco
a quem queira conhecer.
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