Uma música me lembrou um passado,
um passado há milhões de sentimentos.
Uma viagem ajuda a
vislumbrar o novo.
Choque de culturas não
muito distintas.
Ouvi essa música no
aeroporto e nessa hora senti que o passado finalmente ficou pra trás.
Você já reparou que o
tempo faz com que sintamos a vida de forma diferente?
O que sentimos é como um farol
que nos guia pela vida, determinando a forma como agimos.
Como um lampião que
precisa de querosene para ser aceso, precisei daquela música para enxergar o resquício
do tempo, tempo que foi se arrastando até chegar a esse momento.
Crescer. Como dói às
vezes, não é?
É preciso coragem,
destreza
Às vezes não acredito ter
tais qualidades, mas aí a vida chega.
Ontem chorei de raiva no
meio da rua, hoje já nem me lembro mais qual foi o motivo
tirou-me a dor do peito.
Quem sabe, daqui a um ano,
ou mesmo um dia, eu vá escutar uma música que me faça voltar àquele mesmo
instante, e talvez eu perceba que mudei.
Talvez eu perceba que não mudei.
Talvez eu perceba que não
mudei nada
absolutamente nada.
Ih, passou-se um segundo e
já não me lembro mais que nada é esse.
Creio que a vontade
superou a expectativa alheia.
Apesar de todos os buracos
existentes na estante,
apesar do medo que tento
esconder em cima do armário, junto a todas aquelas caixas velhas que guardam
fantasias, roupas e artefatos hoje inutilizáveis
a vontade parece, por
hoje, ter vencido a guerra,
e o resto, tem resposta
pro resto?
E qual o problema com o
resto?
“restante das nossas
vidas”
isso é lindo, inclusive
porque não tem resposta.