sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Um aeroporto de tempo

Uma música me lembrou um passado, um passado há milhões de sentimentos.
Uma viagem ajuda a vislumbrar o novo.
Choque de culturas não muito distintas.
Ouvi essa música no aeroporto e nessa hora senti que o passado finalmente ficou pra trás.

Você já reparou que o tempo faz com que sintamos a vida de forma diferente?
O que sentimos é como um farol que nos guia pela vida, determinando a forma como agimos.
Como um lampião que precisa de querosene para ser aceso, precisei daquela música para enxergar o resquício do tempo, tempo que foi se arrastando até chegar a esse momento.
Crescer. Como dói às vezes, não é?
É preciso coragem, destreza
Às vezes não acredito ter tais qualidades, mas aí a vida chega.
Ontem chorei de raiva no meio da rua, hoje já nem me lembro mais qual foi o motivo
tirou-me a dor do peito.
Quem sabe, daqui a um ano, ou mesmo um dia, eu vá escutar uma música que me faça voltar àquele mesmo instante, e talvez eu perceba que mudei.
Talvez eu perceba que não mudei.
Talvez eu perceba que não mudei nada
absolutamente nada.
Ih, passou-se um segundo e já não me lembro mais que nada é esse.
Creio que a vontade superou a expectativa alheia.
Apesar de todos os buracos existentes na estante,
apesar do medo que tento esconder em cima do armário, junto a todas aquelas caixas velhas que guardam fantasias, roupas e artefatos hoje inutilizáveis
a vontade parece, por hoje, ter vencido a guerra,
e o resto, tem resposta pro resto?
E qual o problema com o resto?
“restante das nossas vidas”

isso é lindo, inclusive porque não tem resposta. 

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