quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Sobre quedas e margaridas

Eu não tô entendendo nada
não, você não tá entendo nada
não eu não tô entendendo nada
não, você
Não você
Não, eu?
É, você!
Não sou eu
Não, não é você
Sim, sim sou eu
Essa sou,

eu

e

Você.

Hoje segui
a velha estrada amarela
que me leva
ao acaso
sem destino
certo
incerto
inseto.

Sem margaridas
ou girassóis
vou voando
na minha bike amarelada

Follow the Yellow "brick" road
they say
I dont
want to sleep
any, more.
Today.

Crescer dói
e levantar-se muito mais
acontece
que odeio quedas
elas machucam
e falam
muito mais
que a minha própria paz.

Quando tinha apenas 15
uma queda quase me matou
não quero morrer mais
nunca
jamais.

Cicatrizes estão aí
Pra comprovar
que me machuquei feio
que nem o Scar.
Teto
Solar.

Mas acontece
que o jamais já se passou
e não quero dormir
nunca mais
Mais
mas
Muita
Paz.

Aqueles velhos remédios
não me causam mais dor
eles dormem no meu criado
criado esse muito mudo.

Eles me protegem
de quedas fortes
anestesiam
mas não curam
a minha dor.

Eu não quero
mais precisar cair
Eu sinto coisas
Eu vivo tudo
me inundo
sou assim
e fim.

Não sei ser diferente
me incomoda
os outros me olham torto
não gosto
às vezes me perco
me odeio
por isso.
Te pego.
Te pego?
não,
quero.

Mas aqueles olhos brancos
que me acompanhem sem parar
são protetores
solar.

Outro dia ouvi que Deus
é aquele que me inunda
imunda
protege
mas descobri
recentemente
que se eu me machucar
Não vou me olhar
nem me levantar
Vou voltar
ao cotidiano
cotidiano quase
quase que
particular.

Tudo isso pra dizer
que odeio quedas
adeus
Tudo, tudo
que me impede
de alcançar
a plenitude,
particular.

Sou uma menina
que precisa chorar
se não. Oro
manipulo
e se manipulo
me mato
pouco a pouco
quase
lentamente.

Não gosto
Não quero
esperar
nunca jamais.

Sabe as mentiras?
Detesto
Mas fazer o que?
Elas ajudam a viver..

Ou me enjaulo
ou perco a minha vontade
de gritar pros sete mares
que tudo o que eu quero
é chegar lá
do leme ao pontal
é só um caminho
um caminho longo
tortuoso
tenebroso.

A chuva acalma
mas acontece que só a chuva
não basta
pra eu me sentir,
assim,
e fim.

Acontece que felicidade
é plenitude.

Aqueles momentos
em que tudo está em paz
fecho os olhos
e não quero chorar
jamais
quero viver
e ponto.

Sem mais.

Não me importa a passagem
sou fria sim
quente
diferente,
difícil às vezes
Chama-se proteção
casco
marasmo.

Não quero me queimar
nunca,
mais.

Pronome indefinido

diminutivo?

Sei não
só sei que nada sei
e se nada sei
calei.

Não sei
se voltarei
a sentir
some say
Philafelfia!
Wtf?
Não sei mais o que estou falando
melhor me calar
Pois talvez ninguém consiga escutar
aquele grito
que guardo no peito
me odeio
me amo
Detesto
Sinto repulsa
e nojo
ao mesmo tempo.

Sou da paz
Só quero o bem
mais
nada é tão simples assim.

Constituir família
amigos
gente
amo
sou
quero tudo
tudo junto
E misturado.

Não me importa
se é Ben Bem Stiller
ou Adam fucking Sandler
tudo é lindo
incomum
e prejudicial.

Gente preta
gente negra
parda
panda
Oriente
gente.

Chega
não consigo mais sair
vou me deitar
pra me abstrair
com sonhos aleatórios
sonhos de criança
experiências
que temos
desde quando
temos cinco anos.

Aqui nessa cozinha
em 99
me lembro da minha primeira
lembrança.
Marco profundo
De todo um mundo
que só eu tenho acesso
e mais ninguém.

Será que você vai realmente entender
o que eu tenho pra dizer?

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