Ontem estava angustiada, uma angústia que veio sem aviso
prévio, ou conscientemente sem qualquer motivo. Por isso, como ela só aumentava,
decidi colocar um filme idiota pra ver no now, “Minha mãe é uma peça”, pois
acontece que apesar de eu sempre querer usar meu tempo livre para ver coisas
que, digamos, me acrescentariam alguma cultura, quando estou em estado de angústia,
depois de muitos anos lidando com isso, percebi que o melhor a se fazer é
colocar algo bem bobo para assistir e tentar desencanar. Mas até parece que
tirar a concentração da angústia é fácil. Por isso decidi tomar um rivotril pra
ver se me acalmava. Não acalmei. Decidi tomar outro rivotril. Demorou pra
surtir efeito. Àquela altura já havia percebido que não iria querer sair com
meus primos, amiga e irmão mais tarde pra ir à festa. Não estava a fim de me
arrumar e apesar de adorar dançar, senti que aquela noite aquilo não me faria
bem, até pelos rivotris todos que tomei. Imaginei que fosse ficar completamente
lesada. Por fim, decidi que iria ver “O caderno de Noah” (me recuso a chamá-lo
de “Diário de uma paixão”, estraga tudo) já que amo histórias de época e esses
amores e paixões fortes que vencem todas essas barreiras impostas por essa
sociedade imunda em que vivemos. Depois, já bem alta com o rivotril, decidi que
iria ver “Com amor, Marylin”, que estava passando na televisão. Estava tão
maluca que chorava compulsivamente pela triste história de Marylin, e por todo
mal que sofreu ao longo de sua vida por ser tão mal compreendida. As pessoas à
sua volta eram burras e incapazes de entender que ela era um ser completamente
inteligente e sensível e que tinha enorme dificuldade em se encaixar nessa
merda de mundo machista em que vivemos. Ela era amor, e pra mim isso é sinônimo
de muita inteligência. Acredito que é verdade quando o meu terapeuta diz que
ser muito bonito(a) tem suas desvantagens, você sofre muito na vida, pois as
pessoas só esperam aquilo de você e nada mais. Que merda, as pessoas podem ser
muito mais que isso. Com o tempo, passei a não me sentir mais tão culpada por
estar na merda sábado à noite, justo o dia que as pessoas têm de serem ultra
hiper mega felizes e saltitantes nos bares e festas da vida. Meus pais chegaram
do cinema/jantar que haviam ido, me trouxeram pizza: a melhor pizza do mundo. Dormi
cedo pra um sábado, 1h vendo “Mama mia” (não me julguem, já estava doidona).
Me espantei, visto que tomei três rivotris na noite
anterior, ter acordado 8h30m. Estava chapada ainda de tanta tarja preta que eu
tomei na noite anterior. A verdade é que não estou em paz, zen, só chapada e
sem conseguir pensar nos problemas que ultimamente andam me consumindo e que
indiretamente me deixaram angustiada sábado. Acho que cansei de ficar tentando
ser forte o tempo inteiro, e cansei de ser preguiçosa e autopunitiva também. Me
sinto um cu quando mato aula por preguiça (preguiça, palavra perigosa, há muito
mais escondido por trás da palavra preguiça). Sinto-me mal por todos os
demônios que existem dentro de mim, das autocríticas que me puxam pra baixo. Ao
mesmo tempo em que supero tudo muito rápido (graças à fé que sinto nas coisas,
devo admitir) morro de medo da angustia que sinto no peito em muitos momentos
da vida. Tenho medo de ter depressão novamente, esse talvez seja o maior medo
que tenho na vida. É difícil acreditar que já superei tanta coisa, o que devo
não só a mim, mas também a muitas outras pessoas. Mas às vezes a dor bate, a
tristeza vem, a crítica faz mal e a angústia assombra. Mas como uma vez disse
alguém pouco importante, “Tudo o que é passageiro é uma ilusão que nos vem
incomodar”. Ah, esse alguém era Buda. Parece que ainda resta alguma esperança.
Sempre houve. Sempre haverá.
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